Pesquisar este blog

Carregando...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

AULA 13: CONCEITO DE BELO

Banner Belo


"O belo é um conceito relacionado à determinadas características visíveis nos objetos (ou seres). Historicamente, é o fruto maior da estética clássica, grega e romana. Foi desenvolvido pelos filósofos gregos e exemplarmente demonstrado em suas escultura, arquitetura e pintura. Estas obras seguem sendo, passados mais de dois mil anos, os paradigmas dos objetos belos.
Eu posso gostar do que é feio, do que é amargo ou assustador, portanto não é o gosto que define o que é belo.
Acompanhando a milenar tradição clássica, podemos definir o belo formalmente, isto é, a partir de certas características das formas dos objetos.
Estando presentes estas características, o objeto tem larga chance de ser belo. Posso não gostar dele, posso considerá-lo frio e distante como um estranho extraterrestre alheio às imperfeições e paixões da vida, mas ele adequa-se aos critérios de beleza de 20 séculos de arte e arquitetura.
Três destas características formais são a ordem, a simetria e a proporção. Pensadas na Grécia clássica, estas três categorias atravessaram milênios de história, informando muita da arte gótica, renascentista, neoclássica etc. até os dias de hoje." Blog Aula de Arte




O que é o belo e feio?

Boa arte é aquela que dá prazer estético, respeita os limites do espectador, exige distância e, assim, convida o olhar para uma comunhão acalentadora com a imagem, figurativa ou não.
(Jair Barbosa, 2 006)

O belo e a beleza têm sido objetos de estudo ao longo de toda a história da filosofia. Na visão do senso comum a palavra estética nos remete intuitivamente ao belo, enquanto disciplina filosófica surgiu à estética na Antiga Grécia, como uma reflexão sobre as manifestações do belo natural e o belo artístico. O aparecimento desta reflexão sistemática é inseparável da vida cultural das cidades gregas, onde era atribuída uma enorme importância aos espaços públicos, ao livre debate de idéias e aos poetas, arquitetos, dramaturgos e escultores eram conferidos um grande reconhecimento social.

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/aulas/829/imagens/denaide2.jpg
Augeste Rodin (1840-1917) - Escultor Francês. La Danaide, 1889.
Platão foi o primeiro a formular explicitamente a pergunta: O que é o Belo? O belo é identificado com o bem, com a verdade e a perfeição. A beleza existe em si, separada do mundo sensível. Uma coisa é mais ou menos bela conforme a sua participação na idéia suprema de beleza. Neste sentido criticou a arte que se limitava a "copiar" a natureza, o mundo sensível, afastando assim o homem da beleza que reside no mundo das idéias.
Aristóteles concebe a arte como uma criação especificamente humana. O belo não pode ser desligado do homem, está em nós. Muitas vezes o estranho ou o surpreendente converte-se no principal objetivo da criação artística. Aristóteles distingue dois tipos de artes: as que possuem uma utilidade prática, isto é, completam o que falta na natureza e as que imitam a natureza, mas também podem abordar o que é impossível, irracional, inverossímil[3].
O que confere a beleza a uma obra é a sua proporção, simetria, ordem, isto é, uma justa medida.
O juízo de valor estético busca a universalização, segundo Kant, ao se emitir um determinado juízo, deve-se reivindicar para ele a objet ividade, mas também se podem pronunciar juízos subjetivos (gosto desta obra) tendo consciência de estar experimentando apenas o gosto pessoal, porém se o juízo estético aspira à universalidade, deve justificar tal aspiração, recorrendo também a um conceito universal, pois, segundo Platão, objeto belo é aquele onde se manifesta o belo, assim, o racionalismo clássico, dada alterações, retoma o pensamento platônico, que deixa explícito que a beleza é a única que tem privilégio de poder ser aquilo que está em evidência, onde o objeto belo envolve e emociona mais imediatamente do que qualquer outro objeto.
E assim, os clássicos podem conferir autoridade ao juízo crítico, e mais, ainda estabelecem uma concepção didática à arte, onde a idéia de belo se concretiza em modelos determinados que passem a ser seguidos por críticos e artistas.
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/aulas/829/imagens/pollock.jpg
Pollock: Stenographic - Figure 1942

Cria-se o dogmatismo que afirma que a mais bela qualidade do pintor é ser imitador da perfeita natureza. Mas, o próprio Platão sugere que a inspiração deve ser evocada pelo artista, que sejam idéias inspiradoras e belas, capaz de seduzir e que sejam transferidas para objetos belos, pois o artista não deve seguir um sistema de receitas e regras para compor arte.
Posteriormente, a autoridade eclesiástica da Idade Média introduz na concepção do belo a identificação direta com Deus, como um ser único e supremo a serviço do Bem e da Verdade. Tanto Santo Agostinho quanto São Tomás de Aquino identificam a beleza com o Bem, ademais da igualdade, do numero, da proporção e da ordem: estes atributos nada mais são do que reflexos da própria beleza de Deus. Ao final da era medieval, a autoridade eclesiástica rejeita a autoridade científica que se faz presente e notória, exatamente por esta se distanciar da associação dos fenômenos às vontades divinas. Assim, na Renascença, o artista passa para uma dimensão maior, não de mero imitador, nem de um serviçal de Deus, mas de um criador absoluto, cujo potencial genial faz surgir uma arte de apreciação, de fruição. Aristóteles é interpretado de maneira normativa. Seu conceito de arte enquanto mimese e a classificação dos três gêneros literários – épico, lírico e dramático, gêneros estes imiscíveis e imutáveis – passam a ser normas de conduta criativa dos artistas de transição. Assim sendo, regras e padrões fixos são estabelecidos para nortear a produção da obra de arte, bem como sua apreciação, mesmo estando à a rte a serviço da Igreja.
O estudo, em 1750, de Alexander Gottlieb Baumgarten tinha por objetivo analisar o que nos provoca as sensações, denominando essa área de investigação de “estética”, sendo a primeira vez empregada este termo, fundando assim a ciência da sensibilidade.
 http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/aulas/829/imagens/picasso.jpg
Pablo Picasso - La Muse
Já para os filósofos do séc. XVIII, como HUME e KANT, é no campo da subjetividade que se encontra a resposta para o problema do belo. A estética transformou-se, assim, em teoria do gosto, cujo problema central passou a ser o de saber como justificamos os nossos gostos. O subjetivismo estético é a doutrina defendida por estes dois filósofos, embora com tonalidades diferentes. A doutrina rival é o objetivismo estético e é bem representado pelo filósofo americano contemporâneo Monroe Beardsley (1915–1985), para quem o belo não depende dos gostos pessoais, mas da existência de certas características nas próprias coisas.
Desta forma, podemos dizer que entre os gregos, a arte mais importante era a escultura; no renascimento era a pintura, em 1838 com a invenção da fotografia ocorre o fim da figuração, a dissolução da imagem representativa e bem definida numa obra de arte. Para preservar sua especificidade e autonomia, a pintura procura se reinventar, surgindo às chamadas vanguardas do século XX, movimentos artísticos que contestam o apego tradicional das artes à figuração e às formas bem identificáveis, como o caso de distorção nas obras de Picasso[4] (1881-1973), ou abolindo-as do quadro como no caso de Pollock[5] (1912-1956) e Rothko[6] (1903-1970).

Analisando o texto sugerido e as imagens apresentadas, vamos refletir:

  • Se tradicionalmente a feiúra foi sempre evitada na arte e na filosofia, por ser vista como um sinal de imperfeição. Vivemos agora em um estado de indeterminação, pois não sabe mos mais ao certo o que é belo ou feio. Precisamos a prender a deixar a feiúra ser! Não se trata de fazer uma apologia do feio, mas de se esforçar para conviver melhor com a desarmonia, com a incompletude e até mesmo com a incorreção, não apenas nos outros, mas em nós mesmos.

Vocês concordam com essa posição filosófica? Que conceitos/dúvidas podemos levantar sobre estas reflexões? 
O que é belo, o que é feio e como as idéias propostas neste texto interferem em nossa vida?




CONCEITO DE BELEZA
Em nossa época é consenso quase unânime que para um fenômeno poder ser plenamente compreendido é preciso antes dissecá-lo com o raciocínio. De outra forma não se concebe o conhecimento. Só quando classificado até as minúcias pela fraseologia acadêmica é que algo adquire credibilidade e se torna de pleno valor, e com isso também digno de reconhecimento.
Estamos tão acostumados com esse “método de avaliação”, tão convencidos de sua eficácia, que nem nos damos conta de quão restrito ele é, ou melhor, do quanto nos restringimos ao nos submeter a ele voluntária e incondicionalmente. Não percebemos, de maneira alguma, quão limitada é a capacidade analítica do cérebro, absolutamente incapaz – devido à sua própria constituição material – de compreender fenômenos cuja origem se acham acima do espaço e do tempo terrenos. Não percebemos essa limitação exatamente porque fazemos uso do raciocínio para tudo, e este é nosso maior erro.
Assim, de fenômenos gigantescos só conseguimos perceber míseros fragmentos, formando imagens desfocadas que nem de longe apresentam qualquer semelhança com a realidade. Culpa de nós mesmos, que elevamos o córtex cerebral a ícone máximo da evolução humana, em detrimento do espírito. Culpa nossa, que somos todos ouvidos às artimanhas do intelecto e completamente surdos à voz da intuição.
Tome-se, por exemplo, o conceito existente atualmente a respeito da beleza. À menção desta palavra surgem nos íntimos mais evoluídos imagens de belas paisagens e sons da natureza, enquanto que em outros formam-se apenas rostos de top-models e de artistas de cinema. Mais adiante não se vai, só para trás e para baixo, pois a maioria considera como beleza até mesmo o despudor e a lascívia. Com poucas variações, o conceito de beleza hoje reduz-se a essas concepções.
Claro que podemos chamar a natureza de bela. Bela ela sempre será, pois sua formação não está sujeita à influência humana. A natureza, aliás, só se degrada de algum modo quando o ser humano sobre ela põe a mão, provocando desequilíbrios em múltiplas formas. Contudo, a beleza da natureza a nós visível é apenas uma parte diminuta da indescritível beleza reinante na obra da Criação, da qual a matéria constitui apenas o último e mais denso plano.
Quanto à beleza física, é de causar espanto a importância desmesurada que ela desfruta, tão efêmera é. Algumas poucas décadas já são suficientes para que se desvaneça em meio a rugas, dobras flácidas, pigmentos senis e cabelos brancos. Que angústia então, absolutamente desnecessária e desproposital, não traz o processo natural de envelhecimento a tantas pessoas inconformadas com isso. Uma gente atormentada por si mesma, que por meio de cremes, poções e plásticas luta ferozmente para trazer de volta uma juventude que há muito se esvaiu. Quadro triste esse.
Beleza real não é isso. Beleza não se restringe a isso. Beleza é algo muito, muito maior. Ela é o efeito natural e inevitável de todo e qualquer fenômeno que se processa em conformidade com as leis da Criação. Tudo o que age e se molda de acordo com essas leis será belo. Sempre. É impossível não sê-lo. Mesmo aqui na Terra podemos então constatar isso, ainda que em escala reduzida, observando a beleza sempre renovada da natureza. Como ela, a natureza, se desenvolve incondicionalmente segundo essas leis, não estando sujeita à vontade humana, tem necessariamente de ser bela. Alguém, por acaso, já viu alguma flor feia?...
Podemos então afirmar, sem medo de errar, que a causa de tudo quanto não é belo decorre exclusivamente de uma atuação contrária às leis da Criação, ou leis naturais. Sofrimento, dor, miséria, fome, doenças não são obras do acaso, não são golpes do destino nem castigos divinos, mas apenas efeitos automáticos da vontade humana errada. Jamais esteve previsto que coisas desse teor pudessem existir aqui na Terra. Foi a própria humanidade que insistiu em criar para si coisas assim tão feias, ao atuar teimosamente durante milênios e milênios em sentido diametralmente oposto ao indicado por essas leis férreas. Ao invés de direcionar seu livre-arbítrio para incrementar ainda mais a beleza circunjacente, como era de se esperar dela, a humanidade como um todo fez o inverso disso. E agora se surpreende ao se ver obrigada a viver em meio ao horror de suas obras falsas.
Quem quiser viver rodeado de beleza tem de construí-la para si. E isso não é difícil. Basta que a respectiva pessoa se esforce em viver de acordo com essas poucas e simples leis naturais, procurando direcionar seus pensamentos, palavras e ações sempre no sentido construtivo, no sentido do bem. Se perseverar nisso sua vida tornar-se-á novamente bela, e também ela própria, como resultado da atuação dessas mesmas leis.
Os que pautam suas vidas dessa forma são sempre bonitos. São aquelas pessoas (poucas) que parecem clarear o ambiente só com a sua presença, e que atraem magneticamente outras também possuidoras de qualidades boas. Homens que inspiram confiança e mulheres que irradiam graça. Seres humanos belos no mais verdadeiro sentido da palavra, pouco importando se jovens ou velhos.
Mas estes, infelizmente, são a exceção, e cada vez mais rara. A maior parte da humanidade é constituída de almas feias, muitas horríveis mesmo, deformadas pelo egoísmo, pela mentira, pela inveja e pelo ódio. Seres que em maior ou menor grau conspurcam o ambiente e talham o ar ao seu redor. Criaturas horripilantes, também no mais verdadeiro sentido, mesmo se seus reflexos no espelho possam ser agradáveis aos olhos.
No futuro, quando o conceito de beleza tiver sido endireitado à força, assim como tudo o mais que essa humanidade torceu em sua cegueira espiritual, a Terra voltará a ser habitada unicamente por seres humanos belos, na mais completa acepção deste termo. A vida inteira voltará a ser bela, será tão maravilhosa e linda como já fora no início. E como deveria ter permanecido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário